O lançamento de Sinos de silêncio: canções e haikais, em 2015, marcou um momento especial na trajetória de Corsino Fortes e abriu espaço para uma leitura renovada da sua obra. Reconhecido como uma das vozes centrais da literatura cabo-verdiana, o autor surgiu nesse livro com um registo menos solene e mais próximo da emoção, da memória e da contemplação. A obra foi apresentada primeiro em São Vicente e depois na cidade da Praia, onde reuniu amigos, familiares e nomes importantes da cena literária cabo-verdiana.
O que mais chamou a atenção naquele momento foi precisamente a mudança de tom. Se em livros anteriores Corsino Fortes ficou associado a uma poesia de grande densidade simbólica e dimensão épica, em Sinos de silêncio aparece um poeta voltado para uma escrita mais intimista, delicada e concentrada. Na leitura de Vera Duarte, essa nova fase não diminui a grandeza da sua obra. Pelo contrário, amplia-a, ao revelar um autor capaz de transformar o silêncio, o afeto e a experiência interior em matéria poética de alta intensidade.
A força do livro está justamente nessa combinação entre maturidade e reinvenção. As canções e os haikais mostram um Corsino Fortes atento ao detalhe, à musicalidade breve e à imagem precisa, sem abandonar os vínculos profundos com Cabo Verde, com a memória das ilhas e com a sensibilidade coletiva do seu povo. Vera Duarte observou que, nessa obra, a conhecida potência metafórica do poeta abre espaço para uma subjetividade mais lírica, atravessada pela ternura, pela lembrança e por uma nova escuta do mundo.
Mais do que um novo título na bibliografia de Corsino Fortes, o livro foi recebido como sinal de vitalidade criativa e de permanente capacidade de renovação. Num autor já consagrado por ter revolucionado a poesia cabo-verdiana com Pão & Fonema, Sinos de silêncio: canções e haikais mostrou que a grande literatura também pode nascer do gesto contido, da palavra breve e da emoção dita em voz baixa. Foi essa faceta mais lírica, mais humana e talvez mais despojada que a obra trouxe para o centro da atenção crítica.