Petróleo barato e menos investimento abrandam crescimento de Moçambique

A consultora Eaglestone considera que a descida do preço das matérias-primas, nomeadamente alumínio e carvão, e a redução do investimento direto estrangeiro vão impedir Moçambique de manter taxas de crescimento acima de 7% nos próximos anos.

“Moçambique está a enfrentar dificuldades económicas que vão provavelmente impedir que o crescimento económico se mantenha ao mesmo ritmo da década passada (7,4% em média)”, explica a consultora Eaglestone, considerando que estas dificuldades incluem “uma forte queda dos preços das matérias-primas, nomeadamente alumínio e carvão (a maior exportação do país), e a redução do investimento direto estrangeiro no país”.

Num relatório sobre a economia moçambicana, e a que a Lusa teve acesso, os analistas desta consultora com escritórios em Lisboa, Londres, Luanda, Maputo, Cidade do Cabo, Amsterdão e Joanesburgo, afirmam que, ainda assim, as perspetivas de evolução de Moçambique são positivas.

“A perspetiva de longo prazo para Moçambique continua positiva principalmente devido aos projetos de gás natural, que deverão começar no final da década”, dizem os analistas, lembrando as notícias recentes que dão conta de investimentos na ordem dos 30 mil milhões de dólares, quase o dobro de toda a riqueza do país.

O abrandamento económico de 7,2% em 2014 para 6 a 6,5% neste e no próximo ano, resultante da descida do preço das matérias-primas e do abrandamento do investimento direto estrangeiro, é, ainda assim, superior à média da África subsaariana, que deverá ver a sua economia expandir-se, em média, 4,1%, de acordo com os números do Fundo Monetário Internacional.

As finanças públicas, afetadas pela redução da receita e pela forte desvalorização do metical, deverão registar um défice de 7,5% este ano, segundo a previsão do Governo, que antevê um crescimeno do PIB de 7% em 2016 e uma inflação a rondar os 5,6%, menos de metade do valor que regista no final deste ano (13% em dezembro).

“Apesar de o Governo ainda planear financiar a maioria das suas despesas através de receitas fiscais (58%), é preciso notar que os níveis da dívida pública devem aumentar significativamente face aos valores recentes”, dizem os analistas da Eaglestone.

“Em particular, a dívida externa deve chegar aos 65,7% do PIB este ano e 58,3% em 2016, muito mais alta que os 41,6% de 2014”, acrescentam, concluindo que as preocupações com a dívida estiveram na base das descidas de ‘rating’ que Moçambique enfrentou em 2015.